Fundamentalmente bom, inteligentíssimo, audacioso, alegre, sensível, e adestrável.

Que o Poodle é considerado uma das raças mais versáteis, inteligentes, obedientes e dóceis do planeta, todo mundo sabe. Que tais características unidas ao tipo físico encantador fizeram dele um dos cães mais populares pelos quatro cantos do globo, também não é motivo de surpresa para ninguém. E que as raças preferidas pelo público estão mais sujeitas a criadores que só querem vender e não se preocupam em obter filhotes de físico e temperamento ideais, soa como um repeteco para quem acompanha o mundo canino. O fato é que o Poodle, campeão absoluto em número de nascimentos no Brasil, de 1987 a 1994, e segundo colocado da lá para cá, representa 17% da população canina entre as mais de 80 raças registradas no País e permanece como o mais popular cão de companhia. Se tanta popularidade enche de orgulho os criadores que trabalham pela melhoria da raça, é também um motivo de extrema preocupação.

As alterações de temperamento são sem dúvida as que mais surpreendem quem tem um Poodle como cão de companhia. O interessante é que o Poodle faz parte de uma minoria entre as raças que mereceram tal atenção. Estranho? Não. Aqui, da mesma forma que nos Estados Unidos, o Poodle foi um dos cães mais explorados pelos inescrupulosos e a raça sofreu muito com isso, lembra a diretora do Poodle Club of America e criadora há 68 anos, Anne Rogers Clark. As mestiçagens também são uma infeliz realidade da raça. A preocupação dos criadores sérios é tanta que durante as entrevistas todos mencionaram o problema.